Especialistas e órgãos ambientais defendem áreas verdes, rios recuperados e manguezais como barreiras contra enchentes, calor e desastres urbanos.
As chamadas Soluções Baseadas na Natureza vêm ganhando espaço no planejamento urbano brasileiro como alternativa para diminuir os impactos causados pelas mudanças climáticas. A proposta reúne ações que utilizam elementos naturais, como arborização, recuperação de rios, preservação de manguezais e ampliação de áreas verdes, para reduzir enchentes, ondas de calor, deslizamentos e outros eventos extremos que atingem as cidades.
Uma parceria entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Fundação Grupo Boticário lançou um documento com orientações voltadas às prefeituras brasileiras para fortalecer políticas públicas de adaptação climática. O objetivo é preparar os municípios para enfrentar os efeitos cada vez mais frequentes das mudanças do clima e evitar deslocamentos forçados de famílias afetadas por tragédias ambientais.
Segundo dados da plataforma AdaptaBrasil, divulgados em 2024, cerca de 66% das cidades brasileiras apresentam baixa ou muito baixa capacidade de adaptação diante de fenômenos climáticos severos. O cenário preocupa especialistas, principalmente em áreas urbanas marcadas pela impermeabilização do solo e crescimento desordenado.
Entre as medidas apontadas como essenciais estão a recuperação de matas ciliares, a revegetação de encostas e a criação de corredores verdes nas áreas urbanas. Técnicos afirmam que essas iniciativas ajudam a reduzir a temperatura, absorver água das chuvas e minimizar riscos de desastres ambientais.
A gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, Juliana Baladelli Ribeiro, destacou que “É necessário ampliar o acesso dos municípios a instrumentos, conhecimento e redes de apoio técnico para implementar as Soluções Baseadas na Natureza”. Já Débora Castiglione, representante da OIM, afirmou que “conservar a natureza é investir na proteção das pessoas”.
O governo federal também anunciou novos investimentos para ampliar a arborização urbana e desenvolver ferramentas de monitoramento climático nas cidades. Entre as ações está o programa ArborizaCidades, voltado à criação de áreas verdes em regiões urbanas mais vulneráveis ao calor extremo.