Pesquisas recentes mostram que alguns dos maiores aliados no combate às mudanças climáticas são praticamente invisíveis a olho nu. Cientistas têm destacado o papel de organismos marinhos microscópicos, conhecidos como zooplâncton, no equilíbrio climático do planeta e na redução da quantidade de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.
Apesar de minúsculos, esses animais estão presentes em enormes quantidades nos oceanos e exercem funções essenciais no chamado ciclo global do carbono. Segundo estudos publicados em revistas científicas, o zooplâncton atua como uma espécie de intermediário natural que ajuda a transportar carbono da superfície do mar para regiões profundas, onde ele pode permanecer armazenado por décadas ou até séculos.
O processo começa com o fitoplâncton, organismos microscópicos que realizam fotossíntese e capturam CO₂ da atmosfera. Em seguida, o zooplâncton se alimenta desses microrganismos e passa a carregar o carbono ao longo da cadeia alimentar marinha. Esse mecanismo faz com que parte desse material orgânico seja levado para camadas profundas do oceano, diminuindo a quantidade de carbono que retorna à atmosfera.
Outro fator importante é o comportamento desses animais. Muitas espécies realizam uma migração vertical diária: sobem à superfície durante a noite para se alimentar e descem durante o dia para escapar de predadores. Esse movimento funciona como um verdadeiro “elevador natural de carbono”, transportando matéria orgânica para regiões profundas do oceano.
Além disso, resíduos produzidos por esses organismos também afundam rapidamente, contribuindo para o armazenamento de carbono no fundo do mar. Em algumas áreas do planeta, esse transporte biológico pode representar até 40% do carbono enviado para o oceano profundo.
Especialistas alertam, no entanto, que esse mecanismo natural pode ser afetado pelo aquecimento das águas, pela acidificação dos oceanos e por mudanças no ecossistema marinho. Caso esses organismos sejam impactados, a capacidade dos oceanos de absorver carbono pode diminuir, agravando ainda mais o aquecimento global.