Os Estados Unidos intensificaram uma ofensiva econômica e diplomática para garantir acesso aos minerais críticos do Brasil, recursos considerados essenciais para tecnologias modernas e para a segurança industrial do Ocidente. O movimento ocorre em meio à crescente disputa global por terras raras, setor hoje dominado pela China.
Autoridades americanas e brasileiras vêm discutindo possíveis acordos que facilitem investimentos, financiamento e cooperação no setor mineral. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas ganharam força nos últimos meses, impulsionadas pela importância estratégica desses recursos para cadeias produtivas globais.
Minerais críticos — como nióbio, lítio, níquel e as chamadas terras raras — são fundamentais para a fabricação de baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, chips eletrônicos e equipamentos militares. Atualmente, a China concentra cerca de 60% da mineração mundial e mais de 90% do processamento desses elementos, o que tem levado Washington a buscar novas fontes de abastecimento.
Nesse cenário, o Brasil surge como peça-chave. O país possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do planeta, atrás apenas da China, o que desperta forte interesse de potências econômicas e de grandes empresas do setor mineral.
Como parte dessa estratégia, instituições ligadas ao governo dos EUA já começaram a financiar projetos no Brasil. Um exemplo é o empréstimo de cerca de US$ 465 milhões concedido à mineradora Serra Verde para expandir a exploração de terras raras em Goiás, iniciativa vista como passo importante para diversificar a oferta global desses recursos.
Apesar do interesse estrangeiro, o governo brasileiro tem indicado que prefere manter uma política de múltiplos parceiros comerciais no setor, evitando acordos exclusivos e tentando usar a disputa geopolítica para atrair investimentos e ampliar sua própria cadeia industrial de minerais estratégicos.
Com a corrida por tecnologias verdes, inteligência artificial e armamentos avançados, especialistas avaliam que o controle das terras raras e de outros minerais críticos pode redefinir o equilíbrio econômico global nas próximas décadas — e colocar o Brasil no centro dessa nova disputa geopolítica.