Nesta quarta-feira (9 de julho de 2025), Donald Trump anunciou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras, que entrará em vigor em 1º de agosto. A medida é justificada por Trump como resposta ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele classificou de “caça às bruxas”, e às supostas “barreiras comerciais e restrições à liberdade de expressão” impostas pelo Brasil.
A reação foi imediata: o real caiu cerca de 2,5%, ficando cotado em torno de R$ 5,60 por dólar, enquanto o Ibovespa recuou 1,3% em uma sessão marcada pelo temor de impacto no agronegócio, siderurgia, aeronáutica e petróleo. Os setores agroexportadores — especialmente café, suco de laranja, açúcar e carnes — estão entre os mais vulneráveis. O Brasil exporta cerca de 8 milhões de sacas de café por ano aos EUA, e controla 80% do mercado mundial de suco de laranja.
O governo Lula já convocou reunião de emergência e afirmou que irá acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, podendo suspender acordos comerciais e abrir procedimento na OMC. Lula também criticou a tentativa de interferência e destacou que o Brasil “não vai aceitar o controle de ninguém”.
Especialistas avaliam que a escalada tarifária pode interromper cadeias globais de produção, elevar os preços de produtos americanos (como café e suco), prejudicar consumidores e romper acordos bilaterais. A Câmara de Comércio Americana no Brasil alerta para riscos de “queda na produção, no emprego e no investimento”.
O panorama se agrava, já que Trump também ameaça países do BRICS com medidas semelhantes. Por sua vez, a resposta diplomática brasileira passa por articulação multilateral e defesa da soberania jurídica.