Em pronunciamento em cadeia nacional na quinta-feira (17), Lula repudiou a proposta de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA, definindo-a como “chantagem inaceitável”. O líder brasileiro destacou que o governo americano tem usado informações imprecisas para justificar a medida e afirmou: “Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras”.
Lula lembrou que, desde maio, o Brasil buscou diálogo com Washington: “Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação”. Segundo ele, a ausência de resposta e o anúncio via carta configuram um ato de pressão inaceitável. O imposto extra, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto, abrange setores como aço, calçados, máquinas e móveis.
O presidente reforçou a defesa da independência dos poderes brasileiros: “No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei”. Ele criticou quem, em solo nacional, apoia a medida de Washington: “São verdadeiros traidores da pátria”. Lula também denunciou tentativas de interferência estrangeira no Judiciário: “Tentar interferir na Justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”.
Durante o discurso, o presidente mencionou a investigação conduzida pelos EUA sobre o sistema Pix e o papel das big techs no Brasil. Ele afirmou que ambos são símbolos da soberania tecnológica nacional e que o país não permitirá ameaças a seu sistema de pagamentos nem desrespeito às normas vigentes. Em resposta, anunciou que recorrerá às instâncias multilaterais — como a Organização Mundial do Comércio — e apelou pelo uso da recém-aprovada Lei da Reciprocidade, para resguardar interesses nacionais.
Com tom firme, Lula concluiu afirmando que o Brasil busca cooperação global, mas não aceitará imposições: “Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos”