Papa excomunga bispos de grupo católico tradicionalista

Foto: CYRIL ZINGARO/EFE/EPA

Movimento católico ultratradicionalista desafia reformas da Igreja, mantém rito antigo e amplia presença em capelas brasileiras.

A decisão do Vaticano de excomungar bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X reacendeu o debate sobre o avanço de grupos católicos tradicionalistas no mundo, incluindo o Brasil. A medida foi tomada após a ordenação de novos bispos sem autorização papal, ato considerado pela Santa Sé uma ruptura grave com a autoridade do pontífice.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, tornou-se conhecida por rejeitar mudanças litúrgicas implementadas após o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. Entre as principais características do grupo está a defesa da chamada Missa Tridentina — celebração em latim, na qual o sacerdote permanece de costas para os fiéis durante grande parte do rito, voltado ao altar.

Em 1988, a organização já havia enfrentado uma grande crise com Roma, quando Lefebvre ordenou quatro bispos sem aprovação do então papa João Paulo II, resultando em excomunhão. Agora, quase quatro décadas depois, o impasse volta ao centro das atenções após novas ordenações episcopais não autorizadas. Especialistas apontam que esse tipo de punição é raro dentro da Igreja Católica e costuma ocorrer apenas em situações de grave desobediência canônica.

No Brasil, o movimento mantém presença crescente, com atuação em diversas capelas espalhadas pelo país, especialmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Nessas celebrações, é comum ver elementos tradicionais marcantes: uso do latim, canto gregoriano, vestes litúrgicas antigas e fiéis adotando costumes conservadores, como véus entre mulheres durante as missas.

Para os defensores, o rito preserva a reverência e a tradição histórica da Igreja. Já críticos afirmam que a resistência às reformas do Concílio Vaticano II representa um desafio à unidade católica. O episódio reforça a tensão entre tradição e modernização dentro da Igreja, agora sob o pontificado do Papa Leão XIV, que sinaliza tolerância zero para atos considerados cismáticos.

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