A cena se repete todos os dias, de segunda a sexta-feira. Por volta das 11h, há um alvoroço num trecho da rua do Senado, no centro da cidade do Rio ![]()
de Janeiro. Dezenas de pessoas, sentadas ou deitadas na calçada, protegidas por árvores e um abrigo de ônibus, correm para formar uma fila quando veem voluntários saírem do número 50.
A confusão é inevitável. Aqueles que chegaram mais tarde ![]()
tentam se posicionar à frente de quem estava ali desde cedo e se organizar, mesmo que ![]()
de forma precária. Enquanto isso, os voluntários do número 50 anotam os nomes dos que correram para a fila.
Apenas 100 dos muitos sem teto que vivem em situação de rua serão selecionados naquele dia e contemplados com um almoço, oferecido gratuitamente pela organização não governamental Fraternidade sem Fronteiras. A ONG funciona ali, no número 50, há quase dois anos.
Para alguns deles, aquela será a única refeição do dia, se tiverem sorte. Marcelo, de 41 anos, era um dos primeiros na “fila da fome” na manhã da primeira quinta-feira de março (2). Desempregado desde que deixou a cadeia em 2019, em liberdade condicional, ele depende da boa vontade de outras pessoas para comer.
Fonte: Agência Brasil – Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro – Edição: Lílian Beraldo
