O governo do presidente Lula divulgou no dia 22 de junho de 2025 uma nota oficial do Itamaraty condenando com veemência os ataques dos Estados Unidos a três instalações nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Isfahan — apontando violação da soberania do Irã, do direito internacional e da Carta da ONU. A mensagem retomada pelo presidente nas redes sociais reforça a posição do Brasil favorável ao uso exclusivamente pacífico da energia nuclear e à busca por soluções diplomáticas, alertando para o risco de “contaminação radioativa” e “desastres ambientais de larga escala”, além de destacar riscos à paz no Oriente Médio e no sistema de não proliferação.
Apesar da consistência retórica, o comunicado gerou críticas por não mencionar os recentes disparos de mísseis iranianos contra alvos civis, como hospitais e escolas em Israel, que também causaram vítimas, segundo fontes na região. Especialistas e oposicionistas apontam que o governo estaria omitindo esse agravante, o que fragilizaria a neutralidade e credibilidade da diplomacia brasileira.
Em paralelo, Lula reafirma publicamente críticas ao envolvimento militar direto dos EUA nos conflitos no Oriente Médio. Em discurso no G7, classificou como “indiscriminado massacre” os ataques a civis em Gaza e alertou para os riscos de transformer a região “em um único campo de batalha”, com reflexos globais, inclusive na segurança energética mundial. Segundo ele, os gastos militares equivalem ao PIB da Itália, enquanto a ONU permanece inerte.
Essa linha de atuação contrasta com a postura de outros membros do G7, que, embora tenham admitido a ameaça representada pelo Irã, mantêm a defesa do direito israelense de se defender. Internamente, porém, a posição do Itamaraty incomodou parte da oposição: parlamentares criticam a omissão sobre o terrorismo iraniano e afirmam que o Brasil atua como “aliado de quem semeia terror” .
O episódio revela o dilema da diplomacia do governo Lula: ao enfatizar a soberania e a solução diplomática, o Brasil atrai elogios entre regimes antiocidentais, mas também enfrenta críticas por eventuais neutralizações frente às ações iranianas que acarretam danos a civis. Isso desafia a reputação histórica do país como mediador imparcial em conflitos internacionais.
