Neste novo ano letivo, o Tennessee tornou-se o primeiro estado norte-americano a exigir aulas anuais obrigatórias de segurança com armas para todos os alunos da rede pública, incluindo crianças a partir dos cinco anos de idade. A legislação, aprovada em 2024 e em vigor desde o ano letivo de 2025-2026, introduz um programa de ensino voltado à prevenção de acidentes com armas e à promoção de uma cultura de cautela desde cedo.
As aulas, cujo teor varia conforme a faixa etária, ensinam desde o reconhecimento seguro de uma arma real — diferenciando-a de um brinquedo — até a conduta correta ao encontrá-la: parar, não tocar, se afastar e avisar um adulto. O currículo abrange orientações sobre armazenamento seguro, segurança no ambiente escolar e o que fazer ao se deparar com uma arma, com o caráter de ensino sendo estritamente neutro em relação a direitos ou regulamentações.
Apesar de sua proposta preventiva e educativa, o programa enfrenta críticas. Educadores relatam que receberam orientações vagas — o material completo ainda não foi definido e não está claro como será supervisionado o conteúdo. Além disso, a ausência de uma cláusula que permita aos pais optarem pela dispensa dos filhos das aulas tem gerado polêmica: opositores afirmam que desloca a responsabilidade da prevenção para as próprias crianças, enquanto defensores argumentam que medidas como essa são tão comuns quanto os simulados de incêndio ou segurança em estradas.
Proponentes ressaltam a realidade crua dos números: o Tennessee figura entre os estados com taxas mais elevadas de mortes por arma de fogo em crianças e adolescentes — 37% acima da média nacional em 2022, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Eles veem nas aulas uma forma de conscientização essencial, especialmente em lares com armas legalmente acessíveis.
O programa é fruto de uma colaboração entre o Departamento de Educação e o de Segurança do estado, em conjunto com a Comissão de Recursos Fiscais e de Vida Selvagem do Tennessee (TWRA), que elaboraram diretrizes para garantir que o conteúdo seja adequado à idade dos alunos e desprovido de qualquer viés político. A legislação também proíbe o uso de munição real, disparos ao vivo ou armas de verdade durante o ensino.
Esse movimento no Tennessee ocorre num contexto mais amplo, em que estados republicanos como Utah e Arkansas também adotaram medidas similares. O debate reflete tensões nacionais sobre como equilibrar ensino de prevenção, responsabilidades dos adultos e políticas de controle de armas — enquanto o Tennessee avança com uma solução prática, muitos questionam se não estaria tratando os sintomas em vez da causa mais profunda: o acesso fácil e a regulação branda de armas.
