Em 2025, o mundo viveu o ano mais letal para jornalistas desde que organizações internacionais começaram a documentar mortes de profissionais da imprensa há mais de 30 anos, com 129 comunicadores mortos enquanto exerciam suas funções, segundo o relatório anual do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
De acordo com o levantamento divulgado pela entidade sediada em Nova York, dois terços desses óbitos – cerca de 86 casos – foram atribuídos a ações do Estado de Israel, especialmente em zonas de conflito como a Faixa de Gaza e em ataques que atingiram equipes em áreas vizinhas, incluindo um centro de mídia no Iêmen.
O documento destaca que pelo menos 104 dos mortos perderam a vida em meio a confrontos armados, refletindo um cenário global de intensificação de guerras e violência contra profissionais de imprensa. Além de Israel, países como Sudão, México, Rússia e Filipinas também estiveram entre os locais com jornalistas assassinados no ano passado.
O CPJ aponta ainda uma preocupante tendência no uso de drones para atacar integrantes da mídia, com 39 mortes registradas por esse meio em 2025, um aumento significativo em relação a anos anteriores.
A impunidade é mencionada como um fator crítico para a escalada das mortes, com poucas investigações transparentes e responsabilizações em diferentes jurisdições. Em ataques em Gaza, muitos jornalistas palestinos que permaneciam na região para cobrir os conflitos foram mortos, já que a entrada de repórteres estrangeiros é altamente restrita.
Especialistas em liberdade de imprensa e direitos humanos ressaltam que a segurança de jornalistas em zonas de guerra é fundamental para a divulgação de informações críticas, e que a proteção desses profissionais deve ser prioridade para governos e órgãos internacionais.
