A escritora Ana Paula Maia, finalista de um dos mais prestigiados prêmios literários do mundo, voltou a chamar atenção ao comentar as dificuldades de produzir terror no Brasil. Em entrevista recente, a autora afirmou que o país ainda privilegia histórias mais leves e populares, o que limita a expansão do gênero.
Segundo ela, “Brasil é o país da comédia, das historinhas novelescas, fazer terror não é fácil”, destacando que o público nacional tende a consumir narrativas menos densas. A declaração reforça um cenário já conhecido no mercado editorial brasileiro, onde o horror literário enfrenta barreiras para conquistar leitores e espaço nas prateleiras.
Com obras traduzidas e publicadas em diversos países, a escritora relata que encontrou maior reconhecimento fora do Brasil. O interesse internacional por suas histórias, marcadas por ambientes sombrios e personagens intensos, tem impulsionado sua carreira e ampliado seu alcance.
A autora também aponta diferenças culturais na recepção do gênero. Em países europeus, por exemplo, há maior abertura para narrativas mais perturbadoras e profundas, muitas vezes relacionadas a contextos históricos e sociais mais duros. Já no Brasil, o consumo de conteúdos ligados ao entretenimento leve ainda predomina.
Apesar dos desafios, a escritora afirma não se incomodar com a menor visibilidade no país e valoriza o público fiel que construiu ao longo dos anos. Sua trajetória demonstra que, mesmo diante de resistências, o terror brasileiro vem conquistando espaço internacional e despertando interesse além das fronteiras nacionais.
A indicação ao prêmio reforça a relevância de sua obra e evidencia o crescimento da literatura brasileira contemporânea no cenário global, especialmente em gêneros menos explorados no país.
