Pesquisa aponta que mais de 70% dos gestores escolares enfrentam dificuldades para combater casos de bullying, racismo e outras formas de violência.
O combate à violência dentro das escolas públicas brasileiras segue como um dos principais desafios enfrentados pelas equipes de gestão educacional. Um levantamento realizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), revelou que 71,7% dos gestores entrevistados afirmam ter dificuldades para lidar com situações relacionadas a bullying, racismo, capacitismo e outros tipos de agressões no ambiente escolar.
A pesquisa ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas municipais e estaduais em dez estados brasileiros. O estudo servirá de base para a elaboração do novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, iniciativa do governo federal voltada para fortalecer ações de convivência e segurança nas unidades de ensino.
Segundo os dados, além da violência, outro grande obstáculo apontado pelos gestores é a dificuldade de aproximação entre escolas, famílias e comunidades, problema mencionado por 67,9% dos entrevistados. Já 64,1% relatam entraves na relação entre os próprios estudantes, enquanto 60,3% destacam dificuldades em promover sentimento de pertencimento dos alunos dentro do ambiente escolar.
O coordenador da pesquisa, Adriano Moro, afirmou que muitas situações de violência ainda acabam sendo tratadas como simples “brincadeiras”, o que dificulta intervenções mais rápidas e eficazes. Para ele, a criação de um clima escolar positivo é essencial para reduzir conflitos e fortalecer a aprendizagem.
O levantamento também identificou que mais da metade das escolas analisadas nunca realizou um diagnóstico estruturado sobre o clima escolar. Especialistas alertam que a ausência desse monitoramento dificulta a criação de políticas permanentes de prevenção e acolhimento.
Nos últimos dias, o MEC também recriou um grupo de trabalho destinado a elaborar propostas de combate ao bullying, preconceito e discriminação nas escolas brasileiras. A expectativa é que novas medidas sejam apresentadas nos próximos meses para ampliar a proteção dos estudantes e melhorar o ambiente educacional.
