Nova fase da operação da Polícia Federal aprofunda apuração sobre suposto esquema contábil bilionário envolvendo a Americanas.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) uma nova etapa da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil bilionária envolvendo a Americanas. A ação busca aprofundar as apurações sobre um suposto esquema que teria provocado um rombo estimado em até R$ 54 bilhões nas contas da companhia, em um dos maiores escândalos financeiros da história recente do mercado brasileiro.
Nesta segunda fase da investigação, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, com apoio do Ministério Público Federal. Além das diligências, a Justiça Federal autorizou o bloqueio e sequestro de bens e valores dos investigados, em uma tentativa de garantir eventual ressarcimento aos prejuízos causados.
Entre os alvos da operação estão nomes ligados ao alto comando empresarial da varejista, incluindo sócios e ex-executivos que, segundo as investigações, teriam conhecimento das irregularidades contábeis praticadas ao longo de anos. A Polícia Federal apura indícios de manipulação de mercado, associação criminosa e falsidade documental.
As suspeitas giram em torno de operações conhecidas como “risco sacado”, mecanismo financeiro usado para antecipação de pagamentos a fornecedores por meio de bancos, além de contratos de propaganda cooperada que teriam sido registrados sem respaldo real no fluxo de caixa da empresa. Segundo investigadores, tais práticas ajudaram a mascarar a real situação financeira da companhia.
O caso veio à tona em 2023, quando a Americanas revelou inconsistências contábeis inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões, o que desencadeou uma crise sem precedentes, levando a empresa ao pedido de recuperação judicial. Desde então, autoridades financeiras e órgãos de investigação vêm reunindo provas para identificar todos os envolvidos no esquema.
