Alta da dívida acende alerta sobre pressão fiscal, juros elevados e desafios para o equilíbrio das contas públicas.
O endividamento do setor público brasileiro voltou a subir e atingiu em maio o maior nível dos últimos cinco anos, reforçando preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país. Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil mostram que a dívida bruta do governo geral chegou a 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 10,6 trilhões.
O resultado representa um avanço de 0,9 ponto percentual em comparação com abril, quando o indicador estava em 80,2% do PIB. O aumento reflete, principalmente, o peso crescente dos juros sobre a dívida pública e o déficit nas contas governamentais.
Em maio, o setor público consolidado — que reúne União, estados, municípios e empresas estatais — registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões. Esse resultado ocorre quando as despesas superam as receitas, desconsiderando os gastos com juros da dívida. No acumulado de 12 meses, o déficit primário alcançou 1,14% do PIB.
Outro fator que preocupa economistas é o custo financeiro do endividamento. Apenas em maio, os pagamentos nominais de juros somaram R$ 107,5 bilhões. Com isso, a despesa acumulada com juros em 12 meses atingiu 8,48% do PIB, o maior patamar desde 2016.
Especialistas avaliam que o avanço da dívida mantém elevada a percepção de risco no mercado, pressionando os custos de financiamento do governo. Juros altos, aumento de gastos públicos e dificuldades no controle fiscal seguem entre os principais desafios para estabilizar a trajetória da dívida nos próximos anos.
A evolução desse indicador é acompanhada de perto por investidores, economistas e agentes do mercado financeiro, já que influencia diretamente o crescimento econômico, a inflação e as expectativas para a política monetária brasileira.
