Boletim agroclimatológico do Inmet prevê redução das chuvas entre julho e setembro, com impactos para o milho safrinha, pastagens e umidade do solo em importantes regiões produtoras.
A tendência de intensificação da seca nas regiões centrais do Brasil durante o trimestre de julho, agosto e setembro acendeu um sinal de alerta para o agronegócio. De acordo com o mais recente Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a redução das chuvas deverá afetar principalmente áreas do Centro-Oeste, Sudeste e parte do interior do país, comprometendo a disponibilidade de água no solo e elevando o risco de perdas na segunda safra de milho, conhecida como safrinha.
O estudo aponta que o período será marcado por condições climáticas mais secas justamente em uma fase importante para parte das lavouras ainda em desenvolvimento. A menor umidade pode limitar o enchimento dos grãos, reduzir a produtividade das plantações e dificultar a recuperação das pastagens utilizadas pela pecuária. Além disso, a estiagem favorece o aumento do risco de queimadas e exige maior planejamento por parte dos produtores rurais para minimizar prejuízos.
Enquanto o Centro do país enfrenta um cenário de baixa precipitação, o Inmet prevê comportamento diferente em outras regiões. O centro e o norte da Região Norte, a Região Sul e o litoral do Nordeste deverão registrar volumes mais elevados de chuva ao longo do trimestre, favorecendo a manutenção da umidade do solo e das reservas hídricas. Esse contraste climático reforça a desigualdade na distribuição das precipitações durante o inverno brasileiro.
Apesar da preocupação com a seca, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantém uma expectativa positiva para a produção nacional de grãos. A estatal estima que a safra brasileira 2025/2026 alcance 360,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior. Somente a produção de milho deve chegar a 141,7 milhões de toneladas, sendo que a segunda safra tem projeção de 109,43 milhões de toneladas, embora sua colheita avance em ritmo inferior à média registrada nos últimos cinco anos.
Especialistas destacam que o monitoramento constante das condições meteorológicas será decisivo nas próximas semanas. A adoção de estratégias de manejo, irrigação onde houver disponibilidade e planejamento técnico poderá reduzir os impactos da estiagem sobre as lavouras e preservar parte da produtividade esperada para a safrinha, um dos pilares da produção agrícola brasileira.
