Entidade avalia que a economia seguirá em expansão, apesar dos desafios impostos pelos juros elevados e pelo cenário fiscal.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, conforme divulgado no Informe Conjuntural do segundo trimestre. A entidade avalia que a economia continuará avançando ao longo do ano, mesmo diante de um ambiente marcado por taxas de juros elevadas, inflação ainda pressionada e custos financeiros que limitam os investimentos privados.
Segundo a CNI, a atividade econômica deve ser sustentada principalmente pelo desempenho da indústria extrativa e da agropecuária, cujas estimativas foram revisadas para cima. Já o setor de serviços continua com expectativa de crescimento, embora em ritmo mais moderado, refletindo a desaceleração do consumo e do crédito em razão da política monetária restritiva.
A entidade também revisou a expectativa para a inflação oficial, projetando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em torno de 5% ao fim do ano. Para a taxa básica de juros (Selic), a avaliação é de que o Banco Central deverá promover apenas cortes graduais, mantendo o custo do crédito elevado durante boa parte de 2026. Esse cenário tende a reduzir o ritmo dos investimentos produtivos e a afetar segmentos mais dependentes de financiamento.
Apesar das restrições, a CNI destaca que a economia brasileira demonstra capacidade de crescimento, impulsionada por setores ligados à produção de petróleo, mineração e ao agronegócio. A entidade ressalta, entretanto, que avanços mais expressivos dependerão de um ambiente macroeconômico mais favorável, com inflação sob controle, redução consistente dos juros e maior previsibilidade fiscal.
A manutenção da projeção reforça a expectativa de que o Brasil encerre 2026 com expansão moderada da atividade econômica. O desempenho do PIB será acompanhado de perto pelo mercado financeiro, empresários e investidores, que avaliam os impactos da política monetária e das condições globais sobre o crescimento do país nos próximos meses.
Principais indicadores econômicos projetados pela CNI para 2026
Além da manutenção da estimativa de crescimento do PIB, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou uma série de indicadores que ajudam a traçar o cenário econômico esperado para o Brasil ao longo de 2026. As projeções apontam para uma economia em expansão moderada, mas ainda impactada pelo custo elevado do crédito e pela inflação acima da meta.
Indicadores da CNI:
- PIB (Produto Interno Bruto): crescimento de 2,0%;
- PIB da Indústria: alta de 2,0%;
- Agropecuária: crescimento de 5,5%;
- Setor de Serviços: expansão de 1,7%;
- Inflação (IPCA): projeção de 5,1% ao final de 2026;
- Taxa Selic: estimada em 13,25% ao fim do ano;
- Taxa de câmbio: previsão de R$ 5,65 por dólar;
- Saldo da balança comercial: superávit estimado em US$ 56 bilhões.
Segundo a CNI, o desempenho da economia dependerá da evolução da política monetária, do controle da inflação e da confiança de empresários e consumidores, fatores considerados fundamentais para estimular investimentos e ampliar o ritmo de crescimento nos próximos meses.
