Levantamento revela que milhares de trabalhadores continuam sendo vítimas de acidentes, reforçando o alerta para investimentos em prevenção e segurança no ambiente laboral.
O Brasil contabilizou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, evidenciando um cenário preocupante para a saúde e a segurança dos trabalhadores. Somente nos cinco primeiros meses de 2026, foram registradas 222.139 ocorrências, conforme levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), baseado em informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
Os dados mostram que as regiões Sudeste e Sul concentram aproximadamente 72,6% dos registros nacionais, reflexo da elevada concentração de atividades industriais, logísticas e de serviços nessas localidades. O perfil das vítimas também chama atenção: a maioria dos acidentes envolve homens em idade produtiva, especialmente entre 20 e 49 anos, faixa etária que representa grande parte da força de trabalho do país.
Especialistas destacam que, embora o mercado de trabalho tenha apresentado crescimento nos últimos anos, a ampliação das atividades econômicas exige maior atenção às políticas de prevenção. O uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), treinamentos periódicos, fiscalização das condições de trabalho e programas voltados à cultura de segurança são considerados medidas fundamentais para reduzir o número de ocorrências.
Além dos impactos sobre a saúde dos trabalhadores e de suas famílias, os acidentes geram custos elevados para empresas e para o sistema público de saúde, influenciando afastamentos, perda de produtividade e despesas previdenciárias. O levantamento reforça a necessidade de ações integradas entre empregadores, trabalhadores e órgãos públicos para fortalecer a prevenção e tornar os ambientes de trabalho mais seguros em todo o país.
O levantamento também revela que os homens são as principais vítimas de acidentes de trabalho no Brasil, representando a maior parte das notificações registradas nos sistemas oficiais. A predominância masculina está relacionada à maior participação desse público em atividades consideradas de risco, como construção civil, transporte, indústria, mineração e agronegócio. Ainda assim, especialistas alertam para o crescimento de acidentes envolvendo mulheres, especialmente nos setores de saúde, comércio e serviços.
Na divisão por regiões, conforme mencionado anteriormente, o Sudeste lidera o número de ocorrências, seguido pelo Sul, que juntos concentram cerca de 72,6% de todos os acidentes registrados no período analisado. A elevada concentração de trabalhadores formais, aliada ao forte parque industrial e ao setor de serviços, explica os índices mais elevados nessas localidades. Já as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte apresentam números menores em volume absoluto, mas também registram milhares de ocorrências todos os anos, demonstrando que o problema está presente em todo o território nacional.
Entre os estados, São Paulo aparece na liderança nacional, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. De acordo com estudos do Ministério do Trabalho e Emprego, somente São Paulo responde por aproximadamente 34% de todos os acidentes registrados no país, reflexo de possuir a maior população economicamente ativa e o maior número de empregos formais do Brasil. Os estados do Sul e Sudeste, juntos, representam cerca de 68% dos acidentes e 62% dos óbitos relacionados ao trabalho registrados na série histórica recente.
Outro dado relevante é que a maioria dos registros corresponde aos chamados acidentes típicos, aqueles ocorridos durante o exercício da atividade profissional. Também há notificações de acidentes de trajeto e de doenças ocupacionais, que continuam impactando significativamente trabalhadores e empresas. As estatísticas demonstram ainda que a faixa etária entre 20 e 49 anos concentra a maior parte das ocorrências, justamente o grupo que representa a maior parcela da população economicamente ativa do país.
Diante desse cenário, especialistas defendem o fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção, com ampliação das ações de fiscalização, incentivo à adoção de programas de saúde e segurança ocupacional, investimentos em treinamento contínuo e maior conscientização sobre o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Também é considerada essencial a integração entre empresas, sindicatos, serviços de saúde e órgãos públicos para reduzir acidentes, afastamentos e mortes no ambiente de trabalho, além de diminuir os impactos econômicos para a Previdência Social e o Sistema Único de Saúde (SUS).
