Número revela a dimensão da procura por serviços policiais especializados e reforça a importância da rede de proteção às mulheres no Brasil.
As unidades especializadas da Polícia Civil voltadas ao atendimento de mulheres registraram 782.474 atendimentos em todo o Brasil durante 2025. O levantamento foi divulgado neste mês, em meio às ações que marcam os 20 anos da Lei Maria da Penha, legislação considerada um dos principais instrumentos de enfrentamento à violência doméstica e familiar no país.
Os dados mostram a elevada demanda por estruturas preparadas para receber mulheres que procuram as forças de segurança. Ao longo do ano, 329.451 vítimas foram atendidas, indicando que parte delas precisou retornar às unidades especializadas em diferentes momentos.
O atendimento especializado tem papel importante na identificação de situações de violência, no registro das ocorrências e no encaminhamento das vítimas para outros serviços da rede de proteção. A proposta é oferecer um ambiente mais adequado para acolhimento e orientação, reduzindo obstáculos que podem dificultar a denúncia.
O governo federal também vem ampliando iniciativas voltadas ao atendimento humanizado. Entre elas está o Programa Nacional das Salas Lilás, criado para estimular espaços reservados destinados ao acolhimento de mulheres e meninas vítimas de violência de gênero dentro do sistema de segurança pública.
A necessidade de fortalecer essas políticas permanece evidente diante dos indicadores de violência contra a mulher. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontaram que, embora as mortes violentas tenham recuado no país em 2025, os feminicídios cresceram 4% no período.
Nesse cenário, especialistas e autoridades defendem a integração entre polícia, Justiça e serviços de assistência para garantir proteção, orientação e acompanhamento às vítimas.
Dados revelam principais tipos de violência e desafios no atendimento
Entre os registros feitos pelas unidades especializadas em 2025, a ameaça aparece como a ocorrência mais frequente, com 148.544 casos. Na sequência estão os registros de lesão corporal, com 99.473 ocorrências, e injúria, com 88.739. Os números mostram a diversidade das situações enfrentadas pelas mulheres que procuram atendimento policial.
O levantamento também identificou crescimento expressivo em determinados tipos de violência quando comparados aos dados de 2023. Os casos de perseguição chegaram a 52.855, alta de 44,3%, enquanto os registros de violência psicológica somaram 23.911, aumento de 49,7% no período.
Outro dado relevante envolve as medidas protetivas de urgência. Em 2025, os atendimentos realizados pelas unidades especializadas resultaram em 302.626 pedidos. Desse total, 118.672 medidas foram concedidas, sendo que 74,2% delas tiveram concessão integral ou conforme os procedimentos previstos. O diagnóstico registrou ainda 38.214 descumprimentos de medidas protetivas por parte dos agressores.
A distribuição regional também apresenta diferenças importantes. O Sudeste concentrou 125.769 vítimas, equivalente a 47,8% do total nacional. O Nordeste apareceu em seguida, com 53.067 vítimas (20,2%), enquanto o Centro-Oeste registrou 43.662 (16,6%). No Sul foram contabilizadas 21.087 vítimas (8%) e, no Norte, 19.712 (7,5%). Entre os estados, São Paulo teve o maior número, com 84.103 vítimas atendidas.
O diagnóstico também aponta limitações na estrutura disponível. Atualmente, o país possui 585 unidades especializadas, que contam com aproximadamente 6.200 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais. Apesar da estrutura, 80% das unidades não funcionam durante 24 horas. Além disso, 57% apontaram insuficiência de recursos para investigação, enquanto 46% relataram falta de viaturas e 40% indicaram carência de materiais de menor potencial ofensivo.
Os dados foram reunidos a partir de informações de 530 das 585 unidades existentes no país, incluindo delegacias especializadas e outros postos de atendimento. O levantamento foi divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha, oferecendo um retrato nacional da procura por atendimento policial especializado e dos desafios ainda existentes na proteção às mulheres.
