A aposta da China em ampliar o controle das precipitações por meio da semeadura de nuvens, uma forma de modificação climática, ganhou novo capítulo com operações recentes que, segundo autoridades, teriam gerado aumentos expressivos de chuva em regiões afetadas pela seca. Especialistas governamentais relatam que uma frota de aeronaves e drones espalhou partículas de iodeto de prata sobre áreas do noroeste para estimular a formação de gotas e aliviar a falta de água, com resultados que teriam produzido milhões de toneladas a mais de precipitação.
O programa, parte de um ambicioso plano de expansão da tecnologia até 2025, cobre atualmente mais da metade do território chinês, com uso também para reduzir granizo ou limpar o céu em eventos importantes. Contudo, apesar das declarações oficiais sobre benefícios, a eficácia desse tipo de intervenção continua controversa. Pesquisadores externos afirmam que muitos dos supostos resultados não são suficientemente sustentados por dados independentes e que as metodologias para medir o impacto real da semeadura de nuvens ainda são limitadas.
Além das incertezas sobre a efetividade, preocupações ambientais acompanham a prática desde a sua origem no século XX. A técnica, que consiste em lançar partículas capazes de facilitar a condensação do vapor d’água, enfrenta críticas sobre possíveis efeitos adversos em ecossistemas e sobre a dificuldade de prever as consequências em regiões vizinhas. Especialistas advertem que nuvens precisam ter umidade suficiente para que qualquer estímulo artificial funcione, e em muitos casos isso não ocorre, gerando dúvidas sobre até que ponto a tecnologia realmente contribui para o aumento de chuva.
A discussão sobre a semeadura de nuvens, portanto, segue aberta: apesar das promessas de mitigação de secas e de garantir água para agricultura, a falta de consenso científico e de análises independentes robustas mantém o debate aceso sobre se essas intervenções são soluções meteorológicas eficazes ou experimentos de alto custo com resultados modestos.
