O diretor-executivo da BlackRock, Larry Fink, afirmou em entrevista à BBC que uma escalada no preço do petróleo para cerca de US$ 150 por barril pode desencadear uma forte recessão global. A declaração ocorre em meio à instabilidade no Oriente Médio, que tem pressionado o mercado energético e elevado os custos de produção em diversos países.
Segundo Fink, caso o cenário de tensão persista e os preços do petróleo se mantenham elevados por um período prolongado, o impacto na economia mundial será significativo. Ele destacou que esse movimento teria “implicações profundas” e poderia resultar em uma “recessão provavelmente drástica e acentuada”.
O executivo explicou que existem dois caminhos possíveis: um mais otimista, com a redução das tensões e consequente queda nos preços da energia, e outro mais crítico, no qual o petróleo permaneceria acima de US$ 100 por anos, podendo alcançar US$ 150. Nesse segundo cenário, os efeitos negativos seriam amplificados, afetando principalmente países mais dependentes de importações energéticas.
Além disso, o CEO ressaltou que o aumento dos custos energéticos funciona como um “imposto regressivo”, atingindo de forma mais intensa as populações de menor renda. Isso ocorre porque energia mais cara encarece transporte, alimentos e serviços, pressionando a inflação global.
Apesar das preocupações, Fink descartou semelhanças com a crise financeira de 2008, afirmando que o sistema bancário atual está mais sólido. Ainda assim, ele reforçou que o acesso à energia barata é essencial para sustentar o crescimento econômico e o avanço tecnológico, incluindo áreas como inteligência artificial.
Diante desse cenário, especialistas apontam que a crise energética pode acelerar a transição para fontes renováveis, enquanto governos buscam alternativas para reduzir a dependência do petróleo em um contexto de instabilidade internacional.
