Brasil se coloca à disposição para “pacto” com a China e exige reciprocidade frente aos EUA

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil sinalizou estar apto a estabelecer um “pacto” com a China e defendeu a ideia de reciprocidade como resposta às pressões comerciais vindas dos Estados Unidos. A posição foi reafirmada por autoridades brasileiras e reforçada por declarações da diplomacia chinesa, com apelos ao comércio multilateral e à justiça internacional.

O porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que “as guerras tarifárias não têm vencedores” e que o país está pronto para cooperar com o Brasil e outros países do BRICS em defesa da equitativa OMC. Esse tom mais conciliador ecoa o esforço brasileiro de equilibrar suas relações bilaterais, sem se aliar exclusivamente a nenhuma potência.

Ao mesmo tempo, o vice‑presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltou que o país adota estratégia de diálogo com os Estados Unidos e a China, defendendo o multilateralismo e o livre‑comércio como pilares da política externa brasileira. O Brasil busca se posicionar como facilitador entre polos em disputa, aproveitando brechas na guerra comercial global para impulsionar seus próprios interesses.

Contextualmente, essa postura se insere em um cenário de crise diplomática com os Estados Unidos. Tarifas de até 50 % foram anunciadas por Washington sobre produtos brasileiros — uma medida que levou o governo de Lula a ativar a Lei de Reciprocidade Comercial e prometer retaliações econômicas, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio. Brasília exige que haja igualdade de tratamento nas relações com os EUA, propondo que qualquer ajuste seja feito em bases de reciprocidade, com direitos e deveres equivalentes.

Especialistas em relações internacionais avaliam que essa estratégia de abertura unilateral à China, ao mesmo tempo que tenta preservar diálogo com os Estados Unidos, pode ser benéfica desde que o Brasil mantenha sua autonomia política, evitando uma subordinação a qualquer polo global

Related posts

Trump apresenta projeto para transformar Gaza em metrópole com arranha-céus

Modelo atual do autismo pode estar ultrapassado, dizem especialistas

Michael Schumacher não está mais acamado e apresenta evolução no quadro de saúde