A tradicional camisa verde e amarela da Seleção Brasileira, símbolo de conquistas no futebol, tornou-se centro de um debate político nos últimos anos. O Museu da FIFA, em Zurique, destacou em uma exposição temporária que o uniforme foi “apropriado por apoiadores do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro”, refletindo como as cores nacionais se entrelaçaram com movimentos políticos recentes.
Historicamente, a camisa da Seleção foi usada em diversos contextos políticos. Durante as Diretas Já, nos anos 1980, ela simbolizou a luta pela democracia. Em 2013, voltou às ruas em protestos contra o aumento das tarifas de transporte. A partir de 2015, tornou-se presença constante em manifestações pró-impeachment da então presidente Dilma Rousseff, consolidando-se como símbolo de determinados grupos.
Essa associação política levou parte da população a evitar o uso da camisa tradicional durante eventos esportivos. Muitos torcedores optaram por versões alternativas, como as camisas branca ou azul, para demonstrar apoio à Seleção sem conotações políticas.
Em resposta, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem buscado resgatar o caráter esportivo do uniforme. Campanhas publicitárias e declarações de figuras públicas, como a do presidente Lula, incentivam o uso da camisa como símbolo de união nacional, desvinculado de ideologias políticas.
O debate sobre a camisa da Seleção reflete a complexa relação entre símbolos nacionais e política. Enquanto alguns veem o uniforme como patrimônio de todos os brasileiros, outros ainda o associam a divisões ideológicas. A discussão continua, evidenciando a necessidade de reconciliação entre o orgulho esportivo e a diversidade de pensamentos no país.