Pesquisa do Procon Natal revela aumento no custo dos alimentos, higiene e limpeza, além de apontar diferenças de preços entre as regiões da capital.
O preço da cesta básica voltou a subir em Natal e encerrou o primeiro semestre de 2026 com um aumento acumulado de 8,4%, segundo levantamento realizado pelo Núcleo de Pesquisa do Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Natal). O estudo mostra que o conjunto de 40 produtos essenciais passou de R$ 436,73 em janeiro para R$ 473,46 em junho, o que representa um acréscimo de R$ 36,73 no orçamento das famílias em apenas seis meses. Somente na comparação entre maio e junho, a alta foi de 0,70%.
A pesquisa acompanha mensalmente os preços de alimentos, carnes, hortifrutigranjeiros, produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica. A coleta é realizada semanalmente em 26 estabelecimentos comerciais, entre hipermercados, atacarejos e supermercados de bairro, distribuídos pelas quatro regiões administrativas da capital potiguar.
Entre os segmentos pesquisados, os produtos de higiene e limpeza apresentaram a maior variação em junho, com aumento de 2,80%. Em seguida aparecem os itens de mercearia, que registraram alta de 1,23%, e os produtos de açougue, com elevação de 1,22%. Já o setor de hortifrúti foi o único a apresentar queda, com redução média de 2,68%, resultado atribuído pelo Procon à sazonalidade das safras e às condições climáticas que favoreceram a oferta de alguns alimentos.
Entre os itens que mais encareceram no mês, o destaque ficou para o feijão-carioca, com aumento de 12,06%. Também tiveram reajustes expressivos a carne de sol (4,27%), sabão em barra (3,94%), carne de segunda (3,49%), creme dental (3,18%) e água sanitária (2,75%). Em contrapartida, alguns produtos apresentaram queda de preço, como o tomate (-17,05%), a laranja (-6,35%) e a banana pacovan (-4,70%), amenizando parcialmente o impacto da inflação sobre a alimentação das famílias.
O levantamento também revelou diferenças significativas entre as regiões de Natal. A Zona Oeste registrou a menor média da cesta básica, com R$ 460,36, seguida pela Zona Sul, com R$ 462,35. Os maiores valores foram encontrados na Zona Norte, onde a cesta custou em média R$ 485,60, e principalmente na Zona Leste, que apresentou o maior preço, chegando a R$ 498,60.
Outro dado que chama atenção é o peso da cesta básica sobre a renda do trabalhador. Segundo o Procon Natal, o custo atual corresponde a 32,92% do salário mínimo, exigindo aproximadamente 69 horas de trabalho para a compra dos produtos pesquisados. O estudo estima ainda que uma família composta por quatro pessoas necessite de uma renda mensal de R$ 5.435,48 apenas para cobrir as despesas básicas com alimentação.
A diretora-geral do Procon Natal, Dina Perez, destacou que o monitoramento contínuo dos preços serve como instrumento para orientar o consumidor e fortalecer as ações de fiscalização do órgão. A recomendação é que os consumidores pesquisem preços em diferentes estabelecimentos, aproveitem promoções e planejem as compras para minimizar os impactos da inflação no orçamento familiar.