Fenômeno “Você está morto?”: o app chinês que virou símbolo da solidão entre jovens

Foto: Getty Images

Um novo aplicativo chinês que questiona literalmente “Você está morto?” se tornou um dos temas mais comentados nas redes sociais do país ao capturar medos e hábitos de uma geração cada vez mais solitária. Batizado no original como Sileme (死了么), o software exige que usuários que vivem sozinhos confirmem periodicamente que estão bem; caso falhem em dois check-ins seguidos, notificações automáticas são enviadas aos contatos de emergência cadastrados.

Lançado em 2025 e agora impulsionado pela viralização nas primeiras semanas de 2026, o aplicativo saltou ao topo da lista de downloads pagos na Apple App Store da China, gerando curiosidade e discussões amplas sobre isolamento urbano, ansiedade pela segurança pessoal e a crescente população de residentes solo.

Desenvolvido por três empreendedores chineses nascidos após 1995, o app tem foco em jovens profissionais, estudantes e qualquer pessoa que opte por morar sem parentes próximos. Muitos usuários relatam que a ferramenta funciona como um tipo de “companheiro digital”, oferecendo mais tranquilidade a quem teme que um acidente ou mal-estar passe despercebido em apartamentos e dormitórios sem visitas regulares.

Apesar da proposta prática, o nome contundente alimentou debates sobre tabus ligados à morte e ao vazio social, com internautas sugerindo versões mais otimistas ou neutras para o título. Para atingir audiências fora da China, os criadores planejam relançar o app sob o nome “Demumu”, mantendo a mesma funcionalidade de monitoramento simplificado.

Analistas veem a popularidade da plataforma não apenas como um reflexo da era digital, mas também como um termômetro das transformações demográficas e culturais de uma sociedade em que o número de lares unipessoais cresce rapidamente.

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