O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística tem chamado atenção para o agravamento dos indicadores de saúde mental entre adolescentes no país, com base em levantamentos da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Os dados revelam um cenário considerado preocupante por especialistas, especialmente entre estudantes de 13 a 17 anos.
Segundo o instituto, sinais de sofrimento emocional são cada vez mais frequentes. Em um dos recortes da pesquisa, quase 30% das adolescentes afirmaram sentir que “a vida não vale a pena ser vivida”, percentual mais que o dobro do observado entre os meninos.
Os dados também apontam desigualdade de gênero no impacto psicológico: cerca de 27% das meninas apresentam percepção negativa da própria saúde mental, contra 8% dos meninos.
Outro fator de risco identificado é o ambiente digital. Aproximadamente 13,2% dos adolescentes relataram já ter sido ameaçados ou humilhados em redes sociais, situação associada ao aumento de ansiedade e insegurança.
Além disso, estudos complementares indicam que jovens estão entre os grupos mais vulneráveis a transtornos mentais no Brasil. Estimativas apontam que quase um em cada seis adolescentes convive com algum tipo de condição psicológica, incluindo depressão e ansiedade.
Para o IBGE, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao ambiente escolar e familiar, com foco na prevenção e no acolhimento. A instituição destaca que o acompanhamento desses indicadores é essencial para orientar ações que reduzam os riscos e promovam o bem-estar entre os jovens.
Diante desse cenário, especialistas defendem maior integração entre escolas, famílias e serviços de saúde para enfrentar o avanço dos problemas emocionais entre adolescentes, considerado um dos principais desafios sociais da atualidade.