Maioria dos deputados avalia frágil relação entre governo e Congresso, aponta pesquisa Quaest

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pesquisa realizada pelo instituto Genial/Quaest revela que 51% dos deputados federais consideram a relação entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional negativa. O estudo, conduzido entre 7 de maio e 30 de junho, ouviu 203 parlamentares, representando cerca de 40% da Câmara, com margem de erro de 4,5 pontos percentuais.

Principais dados:

  • 51% dos deputados avaliam negativamente as relações entre Executivo e Legislativo; 30% as consideram regulares e apenas 18% — menos de um quinto — avaliam como positivas.
  • A insatisfação cresceu em comparação com maio de 2024, quando o índice negativo era de 43% — alta de 8 pontos percentuais.
  • A avaliação negativa do governo por parte dos deputados subiu para 46%, contra 27% que o veem positivamente.
  • A maioria (57%) também enxerga pouca chance de aprovação da agenda governista no Congresso, enquanto 36% acreditam em boas possibilidades.

Entre os fatores apontados, 45% dos deputados mencionam a desarticulação política do governo como principal obstáculo para aprovação de pautas importantes.

Divisão ideológica:

  • Na oposição, 78% consideram a relação negativa; entre os independentes, o índice negativo é de 65%.
  • Entre os alinhados ao governo, 42% veem a relação como positiva, número significativamente superior aos demais grupos.

Ainda, 69% dos parlamentares afirmam que o Executivo “dá menos atenção do que deveria” ao Congresso.

Contexto e consequências:

O desgaste na relação ocorre em meio à crise envolvendo o decreto de aumento do IOF, ao qual o Legislativo respondeu com a derrubada, seguida de recurso do governo ao Supremo Tribunal Federal (STF). Analistas identificam este episódio como símbolo da dificuldade do governo em manter articulação eficiente com o Parlamento.

Considerações finais:

O levantamento evidencia uma oposição crescente do Congresso à governabilidade de Lula, com efeitos diretos sobre a condução de projetos centrais — como a reforma tributária e regulatória. A percepção de “frágil interlocução” e “baixa atenção” reforça a necessidade de redobrar esforços na construção de alianças e recuperação de terreno junto aos parlamentares.

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