A mineira Laysa Peixoto, de 22 anos, tornou-se notícia após remover seu perfil no LinkedIn nesta quarta-feira (11), depois que a Nasa afirmou não ter qualquer relação com a jovem, repudiando as alegações de que ela teria trabalhado ou recebido treinamento na agência. A agência norte-americana foi clara ao dizer que Laysa “não é funcionária da Nasa, líder de pesquisas ou candidata a astronauta” e que o programa L’Space, citado por ela, se trata apenas de um workshop educativo, sem vínculo profissional com a instituição.
Nas redes sociais, a jovem alegava ter sido escolhida para a “turma de astronautas de 2025” e integraria o voo inaugural da empresa privada Titans Space em 2029. Ela ainda afirmava ter liderado pesquisas na Nasa aos 19 anos, além de defender que representaria o Brasil em missões a estações espaciais, Lua e Marte. Porém, a Nasa novamente negou qualquer vínculo com a missão da Titans Space, que sequer tem autorização da FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) para realizar voos tripulados.
Outros pontos foram questionados: a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) declarou que Laysa não está mais matriculada no curso de Física desde o segundo semestre de 2023, e a Universidade Columbia, suspeita de apontar sua pós-graduação, afirmou não encontrar registros em seus programas. A revista Veja destacou que ambas as instituições e a própria Nasa contestaram veementemente as credenciais apresentadas por ela.
Em nota enviada a portais como GZH, UOL, O Tempo e Estado de Minas, a equipe de Laysa ressalta que ela “nunca afirmou que trabalhava para a NASA” e que a única relação mencionada foi a participação em treinamentos e programas educacionais, como:
- Seleção como astronauta de carreira pela Titans Space, com previsão de missão privada em 2029;
- Participação no programa educacional NASA L’SPACE, com certificação de participação em projetos como o “AquaMoon”.
A assessoria acrescenta ainda que o único vínculo “indireto” com a NASA seria a presença de Bill McArthur, veterano astronauta da agência, como comandante da missão.
Créditos acadêmicos e formação profissional
Laysa relata ter iniciado a graduação em Física na UFMG (2021–2023), transferindo-se posteriormente para a Manhattan College, em Nova York. Além disso, informou ter participado de cursos e formações reconhecidas, como:
- Advanced Space Academy (EUA), com a participação do astronauta Larry DeLucas;
- Cursos online no MIT, em Machine Learning e Modelagem e Simulação.
Contexto da polêmica
A NASA divulgou nota afirmando que Laysa “não é funcionária, pesquisadora principal ou candidata a astronauta”. Segundo a agência, o programa L’Space é apenas um workshop educacional, sem relação formal com emprego ou estágio. A Titans Space, por sua vez, confirmou que Laysa foi selecionada como “candidata a astronauta”, mas o site da companhia ainda não foi atualizado para incluir seu nome. A FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) declarou que a empresa não possui autorização para voos espaciais tripulados.
O que muda com o comunicado
A fala de Laysa busca distinguir entre a NASA e a Titans Space, sustentando que sua aspiração é se tornar astronauta por meio de uma empresa privada, sem alegar vínculo com a agência americana. A defesa destaca que:
“Nunca mencionei a NASA como responsável pela minha seleção ou citei em qualquer momento ser astronauta da agência”.
O episódio reacende debates sobre credenciais falsas, responsabilidade na divulgação de informações e a aura de prestígio em torno de voos espaciais privados. Agora, com o perfil no LinkedIn deletado e reputação em análise, resta saber se novas evidências surgirão para comprovar as alegações de Laysa Peixoto.