PF descarta crime financeiro em movimentação de R$ 30,5 milhões por Bolsonaro

Foto: Fellipe Sampaio/STF

O mais recente relatório da Polícia Federal, com base em dados do Coaf, apurou movimentações de R$ 30,5 milhões nas contas de Jair Bolsonaro entre 2023 e 2024, mas concluiu que não há elementos suficientes para enquadrar o ex-presidente em crimes financeiros.

Conforme o documento, 63% desse valor, o equivalente a R$ 19,2 milhões, foi arrecadado por meio de cerca de 1,2 milhão de doações via Pix, provenientes de apoiadores com o objetivo de ajudar no pagamento de multas judiciais. Outra parcela relevante, de R$ 8,5 milhões, foi identificada como proveniente de resgates de investimentos em renda fixa (CDB/RDB).

Ainda que o relatório tenha registrado aproximadamente 50 comunicações de operações atípicas, envolvendo não apenas o ex-presidente, mas também seu filho Eduardo e sua esposa Michele, a PF não apontou crime formal relacionado à origem dos recursos.

Entre as transações potencialmente suspeitas estão: transferência de R$ 2 milhões para Eduardo Bolsonaro, destinada a custear sua estadia nos EUA; operação de câmbio no valor de R$ 1,6 milhão via uma corretora americana—com indicação de doação do pai ao filho; e repasse de R$ 2 milhões para Michele Bolsonaro, que não foi declarado pelo ex-presidente.

Despesas milionárias também chamaram atenção: R$ 6,6 milhões pagos a escritórios de advocacia estão entre as saídas identificadas.

O inquérito, sob análise do STF, trata da suposta atuação de Bolsonaro e seu filho Eduardo para pressionar os EUA contra o Brasil—conhecido como o caso do “tarifaço”. Embora este apuro tenha resultado em indiciamentos por coação no curso do processo e abolição do Estado Democrático de Direito, as movimentações financeiras foram consideradas isoladamente sem base para crime financeiro.

O Coaf pode encaminhar futuras informações para aprofundar a investigação, seja pela PF ou por outros órgãos de controle, conforme previsto no relatório.

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