Em 4 de agosto de 2025, o senador Marcos do Val (Podemos‑ES) desembarcou no Aeroporto Internacional de Brasília ao retornar de uma viagem aos Estados Unidos, onde passou cerca de 10 dias visitando a Disney e outros parques em Orlando. Sua viagem ocorreu mesmo após ter o passaporte comum apreendido e, posteriormente, ter seu passaporte diplomático retido por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por volta das 08h da manhã, agentes da Polícia Federal abordaram o senador e cumpriram as medidas cautelares determinadas por Moraes. O parlamentar foi encaminhado para instalação de tornozeleira eletrônica no Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME), da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federa.
A decisão judicial impôs diversas restrições: além do uso obrigatório da tornozeleira, Marcos do Val fica proibido de sair de sua residência após as 19h (ficando em casa entre 19h e 6h nos dias úteis, e em tempo integral aos finais de semana e feriados), de utilizar redes sociais — inclusive via terceiros — de manter contato com diplomatas ou investigados, e também teve todos seus bens bloqueados, incluindo contas bancárias, cartões, PIX, investimentos e salário e verba de gabinete.
O senador reagiu de forma nervosa no desembarque, recusou inicialmente acatar as ordens, mas acabou se submetendo à instalação do aparelho após contornar parte da resistência Marcas do choque emocional ficaram evidentes — manifestadas por protestos verbais, alegando que a medida era excessiva — mas a PF conduziu o procedimento conforme o comando judicial.
As restrições surgem no contexto de investigação sob acusação de obstrução de investigações, incitação a crimes e organização de uma suposta trama golpista contra agentes da Polícia Federal e autoridades do STF. A Procuradoria‑Geral da República apontou risco de fuga e apontou que o senador usava suas redes sociais para disseminar desinformação e atacar investigadores.
Segundo foi apurado, o passaporte diplomático utilizado por Do Val para viajar — mesmo estando sob ordem de apreensão — foi confiscado pela PF ao chegar ao aeroporto.
Provas apresentadas pela defesa, incluindo documentos de recesso, hospedagem e ingressos, foram consideradas insuficientes por Moraes, que negou o pedido de viagem e manteve as restrições.
Essa não é a primeira vez que o sistema judicial brasileiro impõe uso de tornozeleira a políticos: decisões anteriores, como a do ex‑presidente Jair Bolsonaro, também envolveram restrições similares — prohibindo acesso a redes sociais, contatos com familiares e diplomatas, além de determinado recolhimento domiciliar a partir das 19h
A decisão de Moraes reforça o entendimento de que garantias individuais não podem se transformar em “escudo protetivo” para condutas ilícitas. O ministro considerou que o recital de antecedentes e recursos apresentados por Do Val não afastam a necessidade das medidas cautelares.
Até o momento, não há pronunciamento oficial da defesa ou de partidos aliados, mas aliados ao senador devem analisar medidas judiciais futuras para tentar revogar ou reduzir as restrições. A Procuradoria‑Geral da República já foi notificada das medidas executadas nesta manhã.