Trump adia tarifas globais e no Brasil; mercados respiram alívio

Foto: REUTERS/Issei Kato/File Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar para a próxima semana o início das tarifas que estavam originalmente marcadas para 1º de agosto. A medida abrange o Brasil e dezenas de outros países, gerando forte movimentação nos mercados.

Inicialmente anunciadas com taxação de até 50% sobre produtos brasileiros, as tarifas foram justificadas por Trump com argumentos políticos — especialmente relacionados ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro — e não por desequilíbrios comerciais reais. Apesar do tom belicoso, estudiosos apontam que tratados pendentes com nações-chave podem amenizar os impactos, conforme alguns acordos finais ainda estão em negociaçãon.

A expectativa de adiamento trouxe alívio aos investidores: o real se valorizou frente ao dólar e ações vinculadas à exportação registraram forte alta nos mercados internacionais. A volatilidade diminuiu, à medida que analistas apostam em mais margem para ajustes comerciais e diplomáticos.

No Brasil, setores como carnes, café e aço enfrentam tensão, mas cerca de 45% das exportações brasileiras estão isentas das tarifas — incluindo produtos como suco de laranja e aviões comerciais — o que reduz parte do choque previsto.

Enquanto isso, o governo federal intensificou esforços diplomáticos, com lideranças brasileiras buscando diálogo técnico nos EUA para evitar a implementação unilateral das taxas. Negociações e lobby têm sido prioridade desde junho, embora até o momento o avanço seja limitado por resistências políticas norte-americanas.

Especialistas como Lia Valls (FGV/Ibre) alertam que os recuos frequentes do presidente norte-americano podem prejudicar sua credibilidade — uma prática apelidada de “TACO” (Trump Always Chickens Out) — e provocar insegurança para operações de comércio internacional.

O adiamento das tarifas abriu uma janela temporária para negociações, mas não garante solução definitiva. O Brasil ainda monitora o desfecho das negociações enquanto mercados globais seguem sensíveis a novos anúncios.

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