Em meio ao recente reatamento das relações entre Brasil e Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump fez elogios públicos ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, afirmando “sempre gostei dele. Me sinto muito mal pelo que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era um cara honesto, mas ele já passou por muita coisa”. O posicionamento surge durante negociações diplomáticas em uma comitiva com Lula.
As conversas se dão em meio à tensão comercial desencadeada por tarifas elevadas e acusações de interferência nas instituições brasileiras. Em uma carta aberta, Trump assegurou que Bolsonaro estava sendo alvo de uma “caça às bruxas” e pediu: “LEAVE BOLSONARO ALONE!” (Fiquem longe de Bolsonaro!)
Mais tarde, numa rede social, o americano reforçou: “He was a very tough negotiator and I can tell you he was a very honest man and he loved the people of Brazil.”
Do lado brasileiro, Lula e sua equipe veem tratados recentes como indicativos de uma possível virada diplomática: os dois países combinaram que as equipes iniciarão negociações “imediatamente” sobre tarifas e sanções. Ainda assim, o presidente brasileiro deixa claro que aceitará diálogo apenas em condições de respeito à soberania nacional.
O gesto de Trump, admirando Bolsonaro, ganha relevância ao considerar que o ex-presidente brasileiro enfrenta julgamento por tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022 — processo que o governo dos EUA classificou como exemplo de “tratamento injusto”.
Para os analistas, esse movimento transmite duas mensagens: uma reafirmação da aproximação entre Trump e setores da direita brasileira, e outra, uma pressão diplomática para que o Brasil reafirme seu alinhamento comercial com Washington. Em Brasília, a leitura é dupla: ao mesmo tempo em que se abre espaço para negociação, reforça-se a firmeza quanto à independência do Judiciário e à não submissão a alegações externas.
No plano prático, as próximas semanas serão decisivas: representantes do Brasil e dos EUA já têm encontro agendado para mapear setores sensíveis (como agropecuária e comércio de bens industriais) e definir cronograma para tratar das tarifas.
Com isso, o discurso de Trump enaltecendo Bolsonaro — em meio a interlocuções oficiais com Lula — torna-se um passaporte simbólico para um novo capítulo na política externa brasileira, marcado por negociações de alto nível, recalibragem de alianças e reafirmação dos interesses nacionais.