Após uma conversa telefônica de cerca de uma hora entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, a China manifestou apoio enfático ao Brasil na defesa de sua soberania nacional e condenou o unilateralismo. A porta-voz do Itamaraty chinês, Mao Ning, declarou que “a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e na salvaguarda de seus interesses legítimos”, ao mesmo tempo em que convocou a comunidade internacional a se unir contra práticas protecionistas.
A agência estatal Xinhua reiterou que Xi expressou que as relações sino-brasileiras estão “no seu melhor momento na história”, destacando a disposição mútua em dar o exemplo de “unidade e autossuficiência” entre as potências do Sul Global, construindo juntos “um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”.
A chanceler Wang Yi também reforçou o posicionamento político na mesma linha, classificando o uso de tarifas punitivas como “intimidação” e violador de normas da ONU e da OMC. Nessa ligação, transmitida ao assessor presidencial Celso Amorim, reafirmou-se o apoio à soberania e dignidade nacional brasileira, e a compreensão da China de que as nações do Sul Global devem se fortalecer em conjunto, especialmente por meio do BRICS.
Segundo o Planalto, Lula e Xi também discutiram temas como a atuação do G20 e dos BRICS na defesa do multilateralismo — com menção às guerras comerciais, às negociações de paz envolvendo Rússia e Ucrânia e aos esforços na COP30, que será realizada em Belém.
Em síntese, o diálogo entre Lula e Xi cristaliza um momento de convergência estratégica entre Brasil e China, pautada pela defesa de interesses soberanos de países do Sul Global, articulação em prol da economia multilateral e um plano de cooperação aprofundada nos campos da saúde, energia, economia digital e tecnologia espacial.
