Em 1968, o operário irlandês Mick Meaney realizou uma das demonstrações de resistência mais insólitas da história moderna ao permanecer 61 dias enterrado em um caixão no subsolo de Londres, numa tentativa de superar o recorde mundial de tempo sepultado vivo.
Nascido em Tipperary, na República da Irlanda, Meaney havia migrado para a Inglaterra em busca de trabalho após uma lesão que encerrou sua breve carreira como pugilista amador. Inspirado por competições de resistência em voga na época, ele decidiu enfrentar o desafio de ficar mais tempo abaixo da terra do que qualquer outro “burial artist” conhecido.
O evento foi organizado pelo empresário Michael “Butty” Sugrue, dono de um pub em Kilburn, bairro londrino com grande comunidade irlandesa. Em 21 de fevereiro daquele ano, com grande cobertura da imprensa e curiosos presentes, Meaney entrou no caixão especialmente preparado, com ventilação e provisões, e foi sepultado a cerca de 2,5 metros de profundidade. Ele recebia alimentos, leituras e até mensagens através de tubos e uma linha telefônica instalada no interior de seu abrigo subterrâneo.
Após dois meses, em 22 de abril, o caixão foi desenterrado e transportado em procissão até o pub, onde Meaney emergiu coberto de terra, sorridente e recebendo aplausos. “Estou encantado por ser o campeão do mundo”, declarou ele à imprensa. Contudo, a fama durou pouco: a promessa de fortuna e reconhecimento, inclusive no Guinness World Records, não se concretizou, e ele retornou à Irlanda sem compensação financeira significativa.
O feito, que chegou a ganhar atenção global e virou tema de documentário recente, permanece como um capítulo singular na história das proezas humanas, misturando ambição, espetáculo e o custo pessoal de um sonho extraordinário.
