O setor das empresas estatais federais enfrenta o maior rombo de sua história sob o governo Lula, o que acende sinal de alerta para as contas públicas. Segundo dados do Banco Central do Brasil (BC), as estatais registraram um déficit de R$ 5,6 bilhões entre janeiro e agosto de 2025, número que representa aumento de 65% frente ao mesmo período do ano anterior. Já os dados que incluem também estatais estaduais e municipais apontam para um prejuízo total de R$ 8,3 bilhões no acumulado.
O rombo enquadra-se como “recorde” na série histórica iniciada em 2002. Em 2024, por exemplo, o déficit alcançou R$ 7,4 bilhões de janeiro a setembro, crescimento de 258,9% em relação ao mesmo intervalo de 2023.
Como o governo reage a esse cenário? A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, argumenta que “não existe rombo” nas estatais, pois “as empresas estatais brasileiras voltaram a investir” e devem ser avaliadas segundo contabilidade empresarial, não fiscal. Conforme a ministra, muitos déficits decorrem de investimentos com caixa acumulado e, portanto, não representam aumento da dívida pública.
Entre as causas apontadas pelos analistas estão: 1) o método usado pelo BC que considera “abaixo da linha” a variação da dívida das estatais, diferente da contabilidade do Tesouro, “acima da linha”, baseada em fluxo de receitas e despesas. 2) investimentos elevados realizados pelas estatais, inclusive em empresas como Correios, Serpro e Dataprev, que ampliaram despesas antes de gerar retorno imediato. 3) a exclusão, nas estatísticas do BC, de grandes empresas do universo das estatais, como Petrobras e Eletrobras, o que impede comparações diretas com governanças anteriores.
Em resumo, o que o governo qualifica como investimento — com intuito estratégico — é visto por críticos como deterioração da gestão pública e ameaça à sustentabilidade fiscal. A discussão revela um entrave estruturado: sem clareza metodológica e com debates sobre governança, o rombo histórico das estatais torna-se um fator crucial para a avaliação da saúde das finanças públicas brasileiras.
