Uma das questões mais comentadas do Enem 2025 provocou reação imediata entre os estudantes: tratava-se de um gráfico baseado em uma função tangente, assunto pouco explorado em provas anteriores, que exigia manipulação de translações horizontais e verticais para chegar à alternativa correta.

No Twitter (atual X), um candidato resumiu a perplexidade de muitos: “Irmão, eu só quero passar no Enem, por que tem tangente transladada no meio da prova?”. A reação reflete o comentário de professores como Marcelo Guará, do Colégio Objetivo, que afirmou que a cobrança de deslocamentos no eixo x (T) e y (D) “não é comum no ensino médio e nunca foi tema de Enem”.
Já o professor Daniel Ferretto, da plataforma Professor Ferretto, apontou que essa foi “a mais complexa da prova”. Segundo ele, era necessário primeiro calcular o período da função a partir da leitura do gráfico (no caso, 2π) para chegar à fórmula da tangente e, em seguida, aplicar os deslocamentos corretamente — especialmente observar um deslocamento de 30 unidades para cima no eixo y e testar pontos específicos, como (t = 2,5; D = 30).
Apesar das críticas, para Guará e Ferretto essa questão não representaria apenas complexidade gratuita: ambos defendem que ela exige domínio conceitual da função tangente, algo que não é rotineiro no preparo de muitos alunos para o Enem. Ainda assim, há quem questione a relevância desse tipo de item em um exame de larga escala.
Dados de pesquisas anteriores já apontavam para essa tensão: segundo levantamento da Terra Insights, mais de metade dos inscritos no Enem aponta a Matemática como a disciplina mais difícil do exame. E na estrutura da prova, a pontuação é calculada por meio de um modelo (a Teoria de Resposta ao Item) que considera não só quantas questões o aluno acertou, mas a complexidade delas – o que pode tornar itens mais sofisticados como esse mais impactantes para a nota final.
Na esteira das reações, cursinhos como o Anglo e plataformas de estudos disponibilizaram correções extraoficiais após a aplicação da prova, para ajudar candidatos a entender melhor os itens mais polêmicos.
Essa discussão reacende uma velha tensão do Enem: até que ponto o exame deve explorar conceitos avançados para diferenciar os estudantes — sem comprometer a acessibilidade e o tempo de prova para a grande maioria.
