A Central Intelligence Agency (CIA) dos Estados Unidos divulgou um novo vídeo em mandarim com o objetivo de atrair oficiais militares da China a atuarem como informantes para Washington, uma estratégia que aprofunda a já complexa disputa de inteligência entre os dois países.
Publicado na quinta-feira no canal oficial da agência no YouTube, o material de cerca de dois minutos apresenta um oficial fictício do Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) que expressa descontentamento com a liderança e com práticas que, segundo ele, priorizam interesses próprios em detrimento do bem-estar coletivo. A peça apela diretamente a militares que possam se sentir insatisfeitos com turbulências internas — incluindo uma série de investigações e destituições de generais nos últimos anos dentro das Forças Armadas chinesas.
A campanha faz parte de uma iniciativa mais ampla da CIA para reforçar sua coleta de inteligência humana sobre a China, após perder grande parte de sua rede de informantes no país há mais de uma década. Autoridades americanas afirmam que os vídeos anteriores já alcançaram milhões de visualizações, apesar das restrições de acesso a plataformas como YouTube dentro da China, que exigem ferramentas de contorno como VPNs.
Pequim reagiu duramente, classificando a ação dos EUA como interferência e prometendo adotar contramedidas firmes para proteger sua soberania e combater o que descreve como tentativas de infiltração e sabotagem. Analistas veem o episódio como mais um capítulo na crescente tensão entre Washington e Pequim, marcada por competição estratégica em áreas militares, tecnológicas e de inteligência.
