O governo federal mudou de postura após anúncio dos Estados Unidos de taxar importações brasileiras com aumento de 50% a partir de 1º de agosto. Em vez de bravatas e retaliações imediatas, o foco agora é a construção de um acordo antes do prazo — defende o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin.
Nesta terça-feira (15), Alckmin liderou duas reuniões com representantes da indústria e do agronegócio, enfatizando a união entre governo e setor privado para pressionar em conjunto os EUA. Empresários destacaram impacto na cadeia produtiva, como o agro, metais e aviação, e reforçaram que é essencial esgotar vias diplomáticas antes de pensar em retaliação .
Embora algumas associações tenham sugerido solicitar adiamento de 90 dias, Alckmin esclareceu que o foco é negociar um entendimento até 31 de julho, não recorrer imediatamente à Lei de Reciprocidade. A estratégia de diálogo inclui pressão direta dos empresários — nacionais e americanos — junto às autoridades norte-americanas.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou para risco de até 110 mil demissões sem acordo, reforçando a urgência na negociação. Já o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, lembrou que o Brasil já abriu 393 novos mercados para o agro, mas mantém o compromisso com os EUA.
Em resumo, o recuo do governo Lula reflete nova prioridade: usar a diplomacia e o setor produtivo para evitar o “tarifaço”, apostando em acordo rápido antes de adotar medidas unilaterais.
