O Irã enfrenta uma das mais graves ondas de protestos em anos, com manifestações que se espalharam por dezenas de cidades em resposta ao colapso econômico e à desvalorização acentuada do rial, moeda nacional. Analistas apontam que a deterioração das condições financeiras, acentuada por inflação alta e sanções internacionais, empurrou moradores de todas as classes sociais às ruas, exigindo mudanças que vão além de demandas econômicas pontuais.
O movimento, que começou quando comerciantes fecharam lojas no tradicional Grand Bazaar de Teerã em protesto contra a perda de valor da moeda, evoluiu para uma ampla mobilização popular. Estudantes, trabalhadores e cidadãos comuns ocuparam ruas em grandes centros urbanos e em localidades menores, muitos levantando palavras de ordem contra a liderança clerical e a gestão estatal da economia.
A resposta do governo tem sido dura: autoridades impuseram um blackout quase total da internet e das comunicações para tentar sufocar a transmissão de informações e intimidar manifestantes. Relatórios de direitos humanos citam centenas de prisões e dezenas de mortes em confrontos entre forças de segurança e manifestantes, enquanto o regime descreve alguns protestos como episódios de “influência estrangeira” e ameaça punir duramente participantes envolvidos em violência.
Líderes políticos dentro e fora do país se posicionaram de formas distintas: figuras do exterior, incluindo opositores exilados, exortam Iranians a persistir, enquanto governantes reforçam a necessidade de manter a ordem e acusam potências estrangeiras de instigar o levante. A crise econômica — marcada pela inflação e pelas dificuldades em obter bens básicos — combinada à pressão política, coloca o Irã diante de um momento crítico que poderá redefinir a dinâmica interna do país nos próximos meses.
