A pergunta “máquinas podem pensar?” remonta aos anos 1950, quando Alan Turing publicou o artigo “Computing Machinery and Intelligence”, propondo o famoso “jogo da imitação” como forma de avaliar se um computador poderia exibir comportamento inteligente. Em 1956, o workshop organizado por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon no Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence marcou o nascimento formal da área da inteligência artificial (IA).
Durante as décadas seguintes, a IA passou por altos e baixos: os anos 1970 viram o relatório crítico de James Lighthill que contribuiu para uma desaceleração no apoio à pesquisa. Em contrapartida, os anos 1980 e 1990 assistiram à ascensão de sistemas especialistas e à vitória do Deep Blue da IBM sobre o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov em 1997, evidenciando que máquinas podiam superar humanos em tarefas específicas.
Já no século XXI, a conjugação de grandes volumes de dados, algoritmos de aprendizagem profunda e maior poder de processamento acelerou a evolução da IA. Hoje, os modelos de linguagem e generativos realizam tarefas que antes pareciam exclusivas da cognição humana, levantando debates não só técnicos, mas éticos, sobre o que significa “pensar” e qual o papel das máquinas em nossas vidas.
Assim, ao completarmos cerca de sete décadas desde aquela pergunta inicial — “máquinas podem pensar?” — constatamos que a resposta não é simples. O que mudou é o grau de sofisticação: hoje as máquinas não “pensam” como humanos, mas simulam comportamentos inteligentes ao ponto de redefinir papéis, expectativas e até nossa própria definição de inteligência.
