O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, criticou com veemência as ações do ministro Alexandre de Moraes, afirmando que o tempo e a história irão avaliar seus atos. Em entrevista recente, Aurélio classificou como “assombro e perplexidade” a forma como Moraes conduziu processos envolvendo cidadãos comuns, como os presos após os eventos de 8 de janeiro de 2023.
Para o ex-magistrado, o STF não é o fórum apropriado para julgar pessoas sem prerrogativa de foro. “Aqueles arruaceiros do 8 de janeiro são cidadãos comuns. Claro que não seria no STF o lugar para julgar”. Ele reforçou que Alexandre de Moraes, sendo “vítima” nos inquéritos, não deveria atuar como julgador: “De início, ele não deveria julgar o processo. Moraes seria vítima, e a vítima não instrui e não deveria julgar.
Além disso, Marco Aurélio afirmou que Moraes “vem forçando a mão” na aplicação de medidas judiciais, como o uso do artigo 359‑I do Código Penal para impor tornozeleira eletrônica a Jair Bolsonaro — patrimônio, segundo ele, de uma interpretação “potencializada” e exagerada de dispositivo excepcional.
Sobre o futuro, o ex-ministro destacou que “a história vai julgar” Moraes por esses atos e disse jamais desejar estar “na pele dele” diante das consequências judiciais e institucionais que poderão decorrer.
