Pesquisadores divulgaram dados que reforçam a ideia de que Marte, hoje um mundo árido e frio, já foi coberto por grandes corpos de água, transformando-o em algo semelhante a um “planeta azul”. Análises recentes de imagens captadas por sondas orbitais mostraram depósitos sedimentares e padrões de deltas em cânions como o Valles Marineris, que se assemelham às zonas onde rios desaguam em mares na Terra — indícios de que rios marcianos desaguavam em um mar antigo e estável.
Esses registros estão alinhados em altitudes muito próximas, o que levou os cientistas a identificar uma antiga linha costeira. A partir dessa repetição topográfica, a equipe responsável conseguiu reconstruir o nível da água e sugeriu que o oceano cobriu uma significativa porção do hemisfério norte de Marte há cerca de 3,3 bilhões de anos.
Estudos anteriores já haviam especulado que um oceano primitivo marciano poderia ser tão grande quanto o Oceano Ártico terrestre e que grande parte da superfície do planeta teria sido envolvida por água líquida no início de sua história geológica.
Com o tempo, a perda gradual da atmosfera e a redução da pressão atmosférica teriam feito com que a água escapasse para o espaço, deixando para trás a paisagem de desertos gelados que observamos hoje.
A confirmação desses vestígios de oceanos antigos não apenas amplia o entendimento sobre a evolução climática de Marte, mas também ajuda a direcionar futuras missões científicas em busca de sinais de habitabilidade e possíveis formas de vida microscópica que poderiam ter surgido em ambientes aquáticos estacionários.
