Não existe um registro claro nas Escrituras sobre a data exata em que Jesus nasceu. Os evangelhos de Mateus e Lucas apresentam narrativas sobre seu nascimento, mas não mencionam dia nem mês específicos, e nos demais textos do Novo Testamento esse detalhe simplesmente não é informado. Historicamente, os estudiosos estimam que o nascimento tenha ocorrido por volta de alguns anos antes do ano 1 da nossa era, possivelmente entre 7 e 4 a.C., considerando contextos políticos e a cronologia de autoridades romanas daquela época.
Alguns estudiosos usam pistas narrativas para inferir estações do ano, como a presença de pastores e rebanhos ao ar livre, cenário que seria improvável no inverno de dezembro na Judeia, sugerindo períodos mais amenos, como primavera ou outono.
A data de 25 de dezembro como o dia oficial do nascimento de Jesus não tem base bíblica e surgiu séculos após os acontecimentos descritos nos evangelhos. No século IV, líderes cristãos no Império Romano associaram essa data ao nascimento de Cristo, possivelmente por ser nove meses após 25 de março, tradicionalmente lembrado como a Anunciação — quando o anjo Gabriel anunciou a Maria que ela geraria o Messias — e também coincidindo simbolicamente com o equinócio de primavera no hemisfério norte.
Além disso, o solstício de inverno romano e festas populares como a celebração do “Sol Invicto” e a Saturnália já marcavam o fim de dezembro com festas e rituais que celebravam a luz e a renovação. Ao adotar 25 de dezembro, a Igreja primitiva integrou e reinterpretou tradições culturais dentro da nova cultura cristã em expansão.
Em resumo, embora a data seja amplamente aceita e celebrada no cristianismo ocidental como o dia do nascimento de Jesus, a Bíblia não fornece essa especificação, e a escolha histórica de 25 de dezembro decorre de decisões culturais eclesiásticas posteriores que consolidaram o que hoje chamamos de Natal.
