O Partido Liberal (PL) divulgou nota nesta segunda-feira (16) em que relata supostas infrações eleitorais no desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, no último domingo (15), e sugere que houve atuação direta do Palácio do Planalto para influenciar o pleito eleitoral de 2026.
Segundo a sigla, elementos apresentados na apresentação indicariam conotação político-eleitoral, como o uso de jingles associados a campanha, a repetição de números de urna, a presença de símbolos partidários e trechos que exaltaram o governo federal, além de representações depreciativas de setores ligados à oposição.
Na avaliação do PL, o emprego de recursos públicos e a eventual participação de integrantes do governo na seleção de artistas que desfilaram configurariam um “instrumento de interferência” nos rumos da disputa presidencial. A legenda defende que tais fatos sejam analisados pela Justiça Eleitoral e que sejam adotadas as “providências cabíveis” para apurar propaganda antecipada, abuso de poder político e econômico.
A oposição também tem intensificado ações judiciais no caso, com parlamentares do PL e de outras legendas programando representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para contestar o evento como possível pré-campanha eleitoral, acentuando a disputa no campo político-jurídico.
Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores (PT) emitiu resposta negando irregularidades e defendendo que a manifestação foi uma expressão cultural autônoma da escola de samba, sem coordenação ou financiamento da campanha do presidente. A legenda afirma que a liberdade de expressão artística está assegurada pela Constituição e não caracteriza propaganda antecipada.
A polêmica em torno do desfile reflete a crescente tensão entre cultura e política no período pré-eleitoral, com implicações diretas para os principais atores e para o debate sobre os limites legais de atos públicos que envolvem figuras políticas em ano de eleição.
