Os Estados Unidos renovaram nos últimos meses um acirrado foco sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca situado no Ártico, gerando intenso debate diplomático e militar em Washington e na Europa. A localização da ilha no extremo norte, entre o continente americano e a Europa, confere-lhe papel crítico para a segurança transatlântica, sendo fundamental para monitorar movimentos militares russos e controlar rotas que atravessam o Oceano Ártico.
A presença de bases dos EUA, como a instalação de detecção de mísseis em Pituffik, demonstra há décadas a importância da Groenlândia para defesa estratégica e vigilância de possíveis ameaças. Além disso, o degelo progressivo motivado pelas mudanças climáticas está abrindo novas rotas marítimas e facilitando o acesso a recursos naturais antes inacessíveis, atraindo o interesse de países como China e Rússia, além de Washington.
Recursos minerais considerados essenciais para tecnologias modernas, incluindo metais raros utilizados em eletrônicos e energias renováveis, aumentam o apelo econômico do território. Embora os EUA já tenham explorado a ideia de compra da Groenlândia em administrações passadas, tanto o governo dinamarquês quanto a liderança groenlandesa afirmam que “a ilha não está à venda” e rejeitam qualquer pressão que comprometa sua autonomia.
Autoridades europeias, incluindo a primeira-ministra da Dinamarca, alertam que uma tentativa de aquisição ou ação militar dos EUA contra um território de um aliado da OTAN poderia fragilizar a aliança e abalar as normas de soberania internacional. O debate reflete a crescente competição geopolítica no Ártico entre grandes potências e a necessidade de equilibrar interesses de segurança com respeito à autodeterminação dos povos locais.
