A presidente da Crefisa e do Palmeiras, Leila Pereira, virou alvo de uma investigação da CPMI do INSS após suspeitas envolvendo a operadora financeira que passou a concentra quase todos os pagamentos de aposentados e pensionistas. O pedido de convocação da empresária foi protocolado pelo deputado Delegado Fábio Costa (PL-AL) em 27 de agosto, com o objetivo de esclarecer denúncias graves contra sua gestão.
A Crefisa venceu 25 dos 26 lotes do leilão realizado em 2024 para operacionalizar a folha de pagamento dos benefícios entre 2025 e 2029. Após o acúmulo de queixas, o INSS suspendeu cautelarmente os contratos com a empresa em agosto de 2025.
Organizações como o Procon, Ministério Público Federal, OAB, além da plataforma Fala.BR, relataram inúmeras reclamações: atrasos nos repasses, exigência indevida de abertura de contas, venda casada de produtos, atendimento precário e filas extensas em agências. Um ofício formal destacou quatroze práticas abusivas, como portabilidade sem consentimento, débito sem autorização, falta de transparência e restrição ao uso de caixas eletrônicos 24h, prejudicando especialmente idosos e pensionistas.
Segundo o deputado autor do requerimento, “Trata-se de falhas sistêmicas que colocam em risco o direito fundamental de milhões de brasileiros de receberem seus benefícios com dignidade”. Caso seja confirmada, a convocação se tornará obrigatória — diferente de um simples convite — e Leila terá de prestar depoimento formal à CPMI.
A criação da comissão já foi aprovada pelo Congresso Nacional em 20 de agosto, com prazo de 180 dias para investigar esquemas de fraude e cobrança abusiva sobre aposentados e pensionistas. Ao confrontar a Crefisa com as revelações, a empresa respondeu que “recebeu com surpresa as informações”, afirmando que não foi formalmente notificada pelo INSS e que investiu mais de R$ 1 bilhão em tecnologia e atendimento.
