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7 de julho de 2026
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Estados Unidos abrem audiências para avaliar práticas comerciais brasileiras e possível tarifa sobre exportações

© Angelo F. Roesler/ Adobe Stock
© Angelo F. Roesler/ Adobe Stock

Processo conduzido pelo governo norte-americano reúne empresas, entidades e representantes dos dois países para discutir investigações comerciais envolvendo o Brasil.

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos entraram em uma nova etapa nesta semana com o início de audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Os encontros, realizados em Washington, têm como objetivo reunir manifestações de empresas, entidades de classe e representantes governamentais sobre investigações que analisam supostas práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.

Uma das audiências trata da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano. Durante as sessões, estão sendo avaliados temas como comércio digital, incluindo o sistema de pagamentos Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal. A expectativa é que as contribuições apresentadas durante os debates sejam consideradas antes da decisão final do governo dos Estados Unidos.

Paralelamente, uma segunda audiência reúne representantes de cerca de 60 países, entre eles o Brasil, para discutir medidas relacionadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão e à proibição da importação de produtos fabricados com mão de obra forçada. O procedimento integra consultas formais previstas na legislação comercial norte-americana e pode subsidiar futuras decisões sobre restrições comerciais.

Diversas entidades brasileiras participam das discussões, entre elas representantes da indústria, do agronegócio, do setor cafeeiro, da cadeia sucroenergética e da indústria aeronáutica. As organizações pretendem demonstrar que uma eventual elevação das tarifas poderá gerar impactos negativos não apenas para exportadores brasileiros, mas também para empresas e consumidores dos Estados Unidos que dependem desses produtos. As investigações são conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento que autoriza o governo norte-americano a apurar práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Em 2025, a corrente de comércio entre as duas economias ultrapassou a marca de US$ 80 bilhões, impulsionada principalmente pelas exportações brasileiras de petróleo bruto, produtos semimanufaturados de ferro e aço, aeronaves, café, celulose e máquinas. Já entre os principais itens importados pelo Brasil estão combustíveis, equipamentos industriais, produtos químicos, componentes eletrônicos e bens de alta tecnologia. Especialistas avaliam que uma eventual ampliação das tarifas norte-americanas pode reduzir a competitividade de produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos, elevar custos para empresas importadoras e provocar reflexos em cadeias produtivas dos dois países, especialmente nos setores industrial, agrícola e de tecnologia.

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