Anistia a Bolsonaro ganha força política durante julgamento no STF

Foto: REUTERS/Pilar Olivares

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, setores políticos articulam uma ampla anistia que inclua o ex-presidente, aproveitando o momento de mobilização em Brasília. No Congresso, parlamentares do Centrão e aliados aproveitam o embalo das discussões judiciais para acelerar o projeto que poderá beneficiá-lo.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem desempenhado papel central nessa costura política. Em Brasília entre os dias 2 e 3 de setembro, ele se encontrou com lideranças da Câmara, entre elas o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), para fomentar apoio à pauta. Em suas próprias palavras, “neste momento, o Tarcísio tem sido muito importante… a participação do governador […] é de suma importância para que a gente consiga pautar o projeto da anistia”.

Aliados avaliam que há maioria formada para aprovar o perdão, e já falam em levar o tema para votação em até duas semanas, após o julgamento no STF. Contudo, apesar do avanço no Congresso, no Senado cresce resistência. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defende uma proposta alternativa que exclua Bolsonaro — focando apenas em envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

No campo jurídico, ministros do STF analisam possíveis caminhos para barrar a medida. A Constituição veda anistias para crimes como os atribuídos a Bolsonaro — terror, grupos armados contra o Estado democrático, entre outros. Além disso, existe precedente recente: o Supremo já reverteu o indulto concedido a Daniel Silveira em 2023, por sua motivação política explícita.

Presidente Lula, por sua vez, definiu o tema como uma “batalha no Congresso” e alertou sobre o risco de aprovação por parte da direita. Segundo ele, “se for votar no Congresso, corremos o risco da anistia”.

Em síntese, a anistia a Bolsonaro ganha novo impulso com o julgamento no STF como pano de fundo. A oposição busca viabilizar o perdão em curto prazo, mas enfrenta barreiras institucionais — da constitucionalidade à resistência no Senado e no Executivo. A definição ainda está por vir, mas o debate promete dominar agendas políticas nas próximas semanas.

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