Ditadura da China usa hospitais psiquiátricos para calar opositores e críticos do regime

Foto: WILLIAM HONG (REUTERS / Cordon Press)

Nos últimos anos, denúncias de violações de direitos humanos na China ganharam destaque com revelações sobre o uso de hospitais psiquiátricos como estratégia estatal para neutralizar opositores. Um relatório da ONG madrilenha Safeguard Defenders, abrangendo o período de 2015 a 2021, identificou 144 casos de internações compulsórias em 109 instituições espalhadas por 21 províncias, envolvendo ativistas e reclamantes de injustiças, muitos admitidos sem avaliação médica ou intervenção judicial adequada.

Apesar das reformas legais de 2012 e 2013 — que exigiam consentimento médico e supervisão judicial —, essas medidas parecem ter falhado em coibir abusos sistemáticos. As vítimas relatam práticas brutais, como medicação forçada, eletrochoque, imobilização física e isolamento prolongado.

Casos emblemáticos ilustram essa realidade. Em 2018, Dong Yaoqiong — apelidada de “a garota da tinta” — transmitiu ao vivo um protesto em que respingou tinta no retrato de Xi Jinping. Ela foi internada à força em um hospital psiquiátrico, onde teria sido amarrada e medicada contra sua vontade. Outro exemplo recente é o de Zhang Po, um ex-mineiro com deficiência que, após reivindicar aumento na pensão por incapacidade, foi internado por 22 dias, medicado e imobilizado. Depois, foi ainda submetido a detenção administrativa sob acusação de “provocar brigas”. Uma pessoa que acompanhou sua história questiona: “When power can arbitrarily define madness and non-madness, everyone will live in fear of disappearing!” (“Quando o poder pode definir arbitrariamente loucura e sanidade, todo mundo vai viver com medo de desaparecer!”).

Esse modelo de repressão encontra respaldo em hospitais especiais — conhecidos como “Ankang” — vinculados ao Ministério da Segurança Pública. Embora representem apenas uma fração dos casos, esses hospitais desempenham papel simbólico na repressão institucionalizada.

Advogados especializados, como Huang Xuetao, defendem reformas profundas na legislação, enfatizando que afastar direitos civis sem um diagnóstico legítimo é injustificável. No entanto, barreiras jurídicas e restrições a ONGs corroem a possibilidade de contestação legal efetiva.

Em resumo, a detenção psiquiátrica de dissidentes na China permanece uma prática alarmante — uma forma de estigmatização e silenciamento que opera à margem do sistema judicial, com impactos duradouros sobre vítimas e seus familiares.

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