Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) revelaram que a Casa Branca acompanha em tempo real, com interesse direto, a operação da Polícia Federal deflagrada na manhã desta sexta-feira (18/07) contra o político. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte de medidas cautelares no inquérito sobre o suposto plano de golpe após as eleições de 2022.
O ex-presidente foi alvo de buscas e apreensões em sua residência no Jardim Botânico, em Brasília, e no escritório do Partido Liberal (PL). Entre as restrições estabelecidas estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar das 19h às 7h e nos finais de semana, além da proibição de contato com seu filho Eduardo Bolsonaro, embaixadores, diplomatas e outros investigados pela Justiça.
Interlocutores do deputado Eduardo Bolsonaro reforçam que ele e o influenciador Paulo Figueiredo vêm mantendo diálogo com o governo Trump, articulando iniciativas como sanções à autoridade do STF, Alexandre de Moraes, por meio da Lei Magnitsky — e pressionando por sobretaxa de 50% a produtos brasileiros. Fontes citam que aliados esperam que a repercussão da operação acelere penalidades contra Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A operação da PF foi motivada por indícios de risco de fuga e ameaça à soberania nacional — incluindo suspeitas de que Bolsonaro considerou buscar abrigo em embaixadas no exterior, além do suposto financiamento de atividades de pressão nos EUA. Durante as buscas, encontraram dinheiro em espécie (US$ 10 mil a US$ 14 mil), um pendrive e documentos relacionados a ações jurídicas e petições contra Moraes.
Do lado do ex-presidente, a movimentação é vista como parte de uma estratégia para reforçar laços com Trump, numa tentativa de internacionalizar o debate sobre sua situação jurídica. A troca de cartas, que continha pedidos diretos para suspender o julgamento, já repercutiu na mídia internacional. “Este julgamento precisa parar imediatamente”, disse Trump, em carta ao ex-presidente.
Com a tensão entre Brasil e EUA crescendo, essa articulação entre o bolsonarismo e a Casa Branca intensifica a já delicada relação diplomática entre os países, elevando o caso de Bolsonaro à esfera das disputas geopolíticas.
