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6 de agosto de 2026
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Endividamento das famílias brasileiras atinge novo recorde, enquanto inadimplência apresenta leve recuo

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Pesquisa da CNC revela que mais de oito em cada dez famílias possuem algum tipo de dívida, mas o número de contas em atraso registra pequena redução em julho.

O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida voltou a crescer e alcançou um novo recorde histórico em julho de 2026. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% dos lares possuem compromissos financeiros, como cartão de crédito, financiamentos, empréstimos ou crediários. O índice supera os 81,6% registrados em junho e representa o sexto mês consecutivo de máxima histórica.

Apesar da alta no endividamento, a pesquisa aponta um dado considerado positivo: a inadimplência apresentou leve queda. O percentual de famílias com contas em atraso recuou de 29,9% para 29,8%, enquanto o tempo médio de atraso dos pagamentos também diminuiu, indicando uma melhora gradual na capacidade de organização financeira dos consumidores.

Outro indicador mostra que, em média, 29,5% da renda familiar está comprometida com o pagamento de dívidas. O prazo médio desses compromissos financeiros chegou a 7,2 meses, refletindo que grande parte das famílias continua recorrendo ao crédito para manter o consumo e equilibrar o orçamento doméstico. Segundo a CNC, o endividamento, por si só, não representa um problema, desde que as parcelas sejam pagas dentro do prazo e caibam no orçamento.

O levantamento também confirma que o cartão de crédito segue como o principal responsável pelo endividamento das famílias brasileiras, presente em mais de 85% dos casos. Em seguida aparecem os carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários, financiamento de veículos e crédito consignado. A predominância do cartão reforça a necessidade de atenção ao uso do crédito rotativo, modalidade que costuma ter uma das maiores taxas de juros do mercado.

A pesquisa revela ainda que o peso das dívidas é maior entre as famílias de menor renda. Nos lares que recebem até três salários mínimos, quase 85% possuem algum tipo de compromisso financeiro, enquanto entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos o percentual é significativamente menor. Da mesma forma, a inadimplência é mais elevada entre os brasileiros de menor poder aquisitivo, evidenciando os desafios enfrentados por essa parcela da população para manter as contas em dia.

A divulgação dos números ocorreu um dia após a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para a CNC, a queda dos juros poderá favorecer a renegociação de dívidas e reduzir o custo do crédito nos próximos meses. No entanto, a entidade avalia que os efeitos não serão imediatos e que a recuperação do poder de consumo das famílias dependerá da continuidade do ciclo de redução dos juros e do controle da inflação. A expectativa da confederação é de que o índice de endividamento continue avançando até setembro, chegando a 82,6%.


A pesquisa da CNC também apontou diferenças importantes entre os grupos de consumidores analisados. Entre as famílias com renda mais baixa, o comprometimento financeiro continua sendo um dos principais desafios, já que uma parcela significativa do orçamento mensal é destinada ao pagamento de dívidas. Esse cenário reduz o espaço para novos gastos e pode afetar diretamente o consumo de produtos e serviços essenciais.

Outro dado relevante do levantamento é o crescimento da utilização de diferentes modalidades de crédito pelas famílias brasileiras. Além do cartão de crédito, que permanece como a principal fonte de endividamento, outras formas de financiamento, como empréstimos pessoais, carnês de lojas e crédito consignado, continuam sendo utilizadas pelos consumidores para equilibrar despesas e manter o padrão de consumo.

A CNC destacou ainda que o aumento do endividamento não significa necessariamente uma piora das condições financeiras das famílias. Segundo a entidade, o indicador precisa ser analisado junto com os índices de inadimplência e de capacidade de pagamento. Quando as parcelas permanecem dentro do orçamento e os compromissos são quitados no prazo, o acesso ao crédito pode contribuir para a movimentação da economia.

Os dados da pesquisa mostram também que uma parcela dos consumidores ainda enfrenta dificuldades para quitar seus compromissos. Cerca de três em cada dez famílias brasileiras possuem algum pagamento atrasado, demonstrando que, apesar da melhora recente na inadimplência, o cenário exige cautela, principalmente diante dos custos elevados de juros e das despesas acumuladas nos últimos anos.

A redução da inadimplência observada no período indica uma tentativa das famílias de reorganizar as finanças, renegociar débitos e controlar novos gastos. Especialistas avaliam que medidas como queda dos juros, aumento da renda e melhora do mercado de trabalho podem contribuir para uma recuperação mais consistente da capacidade de pagamento dos brasileiros.

Mesmo com sinais positivos, a CNC alerta que o elevado nível de endividamento exige planejamento financeiro. A recomendação é que os consumidores acompanhem os gastos, evitem o uso excessivo do crédito rotativo do cartão e priorizem o pagamento de dívidas com juros mais altos, buscando manter o equilíbrio do orçamento doméstico nos próximos meses.

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